O
texto-reportagem presente consiste numa tentativa de conversão prosaica do
poema “Nas Estradas de Bom Nome”, de autoria do cantor e compositor Jonas Neto
Escurinho, que por ele musicado e interpretado, venceu o II Festival de Músicas
do Cangaço, realizado na noite de 28 de abril, em Serra Talhada/PE, capital
nacional do xaxado.
Bom Nome é um distrito do município de São José de Belmonte/PE, vizinho
a Serra Talhada, antiga Vila Bela, terra natal de Virgulino Ferreira da Silva,
Lampião, o “Rei do Cangaço”, e foi palco de importantes acontecimentos
envolvendo o fenômeno do cangaço na região do Rio Pajeú.
No
livro “A Cabeça do Rei”, publicado em 2007, o médico e escritor Iaperi Araújo,
informa que “o famoso chefe de bando Sinhô Pereira, no dia 22 de agosto de
1922, migrou da Fazenda Caraúbas, perto de Bom Nome, para o estado de Goiás”,
entregando o comando do grupo cangaceiro a Lampião.
Reproduzindo
entrevista de Sinhô Pereira a Luiz Lorena e Sá, no ano de 1971, cerca de meio
século após sua migração, o cangaceirólogo e promotor de justiça Ivanildo
Silveira apresenta a afirmação do grande chefe de que, entre os fatos mais
perturbadores de sua temporada no ciclo do cangaço, está a morte de João
Bezerra na localidade de Bom Nome.
A
localização do bando de Lampião pelo mascate libanês Benjamin Abraão Botto, no
ano de 1936, é a mais importante passagem histórica do cangaço lampiônico pelas
glebas de Bom Nome. Benjamin Abraão foi o principal responsável pelo registro
iconográfico do cangaço e de Lampião.
O
Escritor Fernando Monteiro na reportagem “Cinema e Cangaço na Terra do Sol”,
produzida para a 23ª edição da Revista História Viva, em setembro de 2005,
informa que o cineasta principiante Benjamin Abraão permaneceu cerca de 05 dias
no coito de Bom nome, onde foram realizadas as primeiras filmagens de Lampião.
Foi
na companhia do líder Padre Cícero do Juazeiro, cuja foto acima lhe é
creditada, quando o religioso tinha 80 anos (1924) e de quem foi assessor para
assuntos internacionais, que Benjamin Abraão Botto conheceu Virgulino Ferreira
da Silva, o Lampião, por ocasião da concessão da patente de capitão, em 1926.
Por
intermédio da iconografia de Benjamin Abraão, captada pela “geringonça do
turco”, como era chamada por Lampião a máquina fotográfica e filmadora do
libanês, obtendo as imagens da graciosidade das mulheres no cangaço, no coito
de Bom Nome, foi possível compreender porque no imaginário popular Maria Déa,
tornou-se Maria Bonita, a “Rainha do Cangaço”.
A
“geringonça do turco” foi, inicialmente, confundida com uma “costureira”
(Metralhadora) por Lampião, razão que fez com o chefe cangaceiro filmasse
primeiro Benjamin, para depois este filmar o bando, enquanto que as fotos em aparecem
o tropeiro-cineasta foram confiadas ao cangaceiro Juriti.
Nas
margens das estradas de Bom Nome, um velho casarão abandonado, contemporâneo do
cangaço lampiônico, aguarda providências para servir de guardião do patrimônio
etnográfico representado por estas passagens históricas, cantadas em versos,
descritas em prosa.
Texto: Epitácio de Andrade Filho, médico Psiquiatra Pesquisador Social
23:06
William Felix de Andrade












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